Como funciona a política linguística familiar na nossa casa

Texto publicado no Instagram em 14 de março de 2020

Eu simplesmente amei o último post e os stories da Pri sobre política linguística familiar. Me fez pensar e refletir sobre como a gente faz aqui em casa. Como entrou muita gente nova nesses últimos dias, vale a pena lembrar: a Pri traz teorias e fatos da pesquisa de doutorado dela sobre português como língua de herança, e eu, Ana, trago a minha experiência prática. Essa realidade pode conter imperfeições de uma mãe que está tentando dar todo o amor e carinho, e tudo isso, em português. Esse é o plano.

Aqui em casa, a nossa política linguística familiar flui, acredito eu, de uma maneira bem harmônica. Sempre esteve bem claro para a gente que eu falaria o português com nossos filhos e o meu marido, Jörg, em alemão. O irmão do meu marido é casado com uma suíça, ou seja, mais um cenário de bilinguismo na família, mas que no caso, as línguas são o alemão e o francês. Acredito que isso tenha ajudado a não passar pela cabeça do Jörg em fazer diferente. E, no meu caso, que romantizei, por um tempo, o bilinguismo, sempre quis que meus filhos crescessem com duas línguas. E além disso, eu só conseguiria transmitir meu afeto com o português. Essa romantização foi embora rapidinho assim que me deparei com os mil desafios que enfrentamos todos os dias.


Eu sempre me perguntei, o que fazer quando estou com outros alemães? Com visita em casa? Na família do meu marido? Falo em alemão com o Oliver? Falo em português? Falo os dois? É uma dúvida muito constante na minha vida. E esse foi o principal ponto que me fez refletir sobre com esse tema que a Pri abordou.


Quando tem visita em casa, com a qual eu preciso falar em alemão, eu acabo quase não falando em português com o Oliver. Na escolinha, quando o busco, a mesma coisa. Tem a professora, as outras mães e, na maioria das vezes, eu quero que os outros entendam o que estou dizendo. Com a família do Jörg é um pouco diferente, pois eles já estão acostumados com o bilinguismo. Ou seja, quando eu preciso que todo mundo entenda, eu falo em alemão, mas em seguida digo em português. Mas, infelizmente, muitas vezes acabo não sendo tão consistente quanto eu deveria ser e o português acaba ficando de lado.

Dentro de casa é um pouco mais automático. O que eu falo em português para meus filhos, já traduzo na outra para meu marido entender. E esse método já estou tentando mudar, pois ele entende cada vez melhor a minha língua materna. 🙂 Esse assunto me fez parar para pensar e me fez refletir. Estou mais consciente sobre as situações que precisava ser mais persistente com meu idioma. Não estou me cobrando ou impondo regras, só quero, daqui para frente, ter um pouco mais de consciência de como transmitir o português da melhor maneira possível.

Como é a política linguística familiar de vocês? E como vocês fazem nos casos que envolvem outras pessoas?

P.S.: Essa foto acima tirei um dia de manhã, é uma situação bem típica aqui em casa. O Oliver adora escutar historinhas. E por mais que eu tente trazer o português, existem esses momentos em que ele escuta em alemão. Às vezes, sinto que corro contra o tempo. Afinal, temos tudo em dobro para mostrar e transmitir aos nossos filhos, mas o espaço de tempo não se multiplica.

Escrito por Ana Ehrmann

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