O equilíbrio é essencial

Texto publicado no Instagram em 21 de fevereiro de 2020

Onde fica a saída? – perguntou Alice ao gato que ria
Depende. – respondeu o gato
De quê? – replicou Alice
Depende de onde você que ir…

Mudar para outro país envolve, naturalmente, passar a conviver com uma nova cultura. Essa experiência pode ser interessante e enriquecedora, mas pode também trazer medos e inseguranças. Será que vou me adaptar? Como vai ser ficar longe da família e dos amigos? Como vai ser me afastar das minhas raízes? Muitas vezes, começar a vida em outro país significa se reinventar. E, nesse processo, tudo pode acontecer.⁣

Alguns – por decisão ou inconscientemente – se afastam de tudo o que representa sua própria cultura. Eles veem na mudança de país uma oportunidade para recomeçar. A adaptação envolve, para eles, a negação de sua própria cultura e a assimilação completa (esse termo foi usado por Berry, em 1997) à cultura do novo país. “Tudo no meu país era péssimo, tudo aqui é maravilhoso”. Outros, no extremo oposto, recusam-se a se integrar. Apegam-se às suas raízes e rejeitam tudo o que representa a outra cultura. “No meu país é que era bom. Não entendo as pessoas daqui”.⁣

Apesar de completamente opostos, a motivação que a gente percebe por trás desses contextos é a mesma: são mecanismos de defesa. Imigrar não é fácil. A saudade dói, a insegurança abala as estruturas, os desafios se renovam quase diariamente. ⁣

Querer se “transformar” no outro ou se apegar ao que é seu é normal. Mas, como para tudo na vida, o equilíbrio é importante. Mais do que isso: é essencial.⁣

Tornar-se outra pessoa é abrir mão de quem você é, sua história de vida, sua bagagem cultural, emocional, tudo (de bom e de ruim) que fez de você quem você é. Rejeitar o outro é perder a oportunidade de vivenciar coisas novas, aumentar sua bagagem, aprender sobre a diversidade e o respeito. Eu acredito que a chave para uma adaptação mais feliz esteja aí: se integrar e participar da cultura do novo país, enquanto se orgulha de suas raízes e se mantem próxima a elas.⁣

Continuar a vivenciar sua cultura e integrar seu filho a ela, enquanto promove a adaptação (sua e dele) aos costumes e cultura do país onde vocês moram é compreender que a diversidade existe para somar. E quem entendeu isso, entendeu tudo. ⁣

Escrito por Priscilla Nogueira

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