Exposição à língua

Texto publicado no Instagram em 17 de fevereiro de 2020

A gente já sabe que para adquirir uma língua é necessário estar exposto a ela. Mas alguém já se perguntou o porquê? Por que é tão diferente aprender inglês em uma escola de idiomas no Brasil e aprender inglês morando nos Estados Unidos? Por que é tão diferente para uma criança aprender português em casa na Alemanha e aprender português morando no Brasil? Resolvi explicar aqui um pouco sobre a relação entre exposição e aquisição para que a gente comece a entender melhor por que é tão importante que a criança tenha contato com o português de diversas formas e não apenas através da mãe. Vamos lá?

As informações às quais o falante tem acesso através das interações sociais e que contribuem, em menor ou maior grau, para a aquisição da língua tem um nome: input. Ele é considerado por muitos estudiosos como o grande responsável pela aquisição linguística. Mas todo e qualquer input vai contribuir para a aquisição de uma língua? É aí que a coisa fica interessante: não. Para ser efetivo, o input precisa de: alta frequência de exposição, riqueza e variedade de situações em que as palavras são utilizadas. Ou seja: apenas colocar a criança em frente à TV para assistir programas ou filmes infantis em português não vai ser suficiente. Apenas ler para a criança em português à noite também não vai ser suficiente. A língua precisa estar presente em diversas situações e o vocabulário precisa ser variado. Se o contato acontece por apenas uma fonte – só filmes, só livros ou só através da fala da mãe -, não há diversidade suficiente. A aquisição da língua pode acontecer, mas vai ser restrita e, em alguns casos, pode até ser somente passiva.

Portanto, para ser efetiva, a exposição ao português precisa atender a algumas exigências: 1. precisa ser frequente, 2. precisa ser variada e rica e 3. vir de diferentes fontes e através de diversas formas. Fale com seu filho: o máximo possível e não apenas o básico. Fale no carro, fale na rua, fale no caminho para a escola, fale no supermercado, fale enquanto cozinha, fale enquanto vocês arrumam juntos alguma coisa, fale durante o banho, fale na hora de escovar os dentes. Explique as coisas, use palavras sempre diferentes. Leia para ele, coloque música brasileira para tocar em casa, traga coisas novas (um novo podcast com historinhas infantis, um novo canal no Youtube, um novo programa infantil, um novo filme). Adapte o que você escolher à idade dele e procure entender os interesses. Já desde cedo, eles têm gostos e interesses diferentes e isso pode ser super valioso na hora de selecionar o “material” que mais vai agradar ao seu filho. Tem que despertar o interesse. Falar e ouvir português tem que ser, acima de tudo, útil e legal. 💛

Escrito por: Priscilla Nogueira

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