Série “Mitos sobre o bilinguismo”: Mito 3

MITO 3

Ser bilíngue significa apenas saber duas línguas? Dando continuidade à nossa série a respeito dos mitos sobre o bilinguismo, vamos falar hoje sobre esse fenômeno que está bem longe de ser puramente linguístico: os sistemas cognitivo, social, cultural e identitário são também modificados quando a criança convive com duas línguas.

Aprender uma língua não é apenas tornar-se proficiente nela. De acordo com a pesquisa desenvolvida por Bialystok et al. (2005), por exemplo, o bilinguismo modifica redes cognitivas e aprimora o funcionamento do controle executivo. É uma experiência que tem efeitos contínuos e profundos nos sistemas cognitivos. Isso significa que o cérebro de um bebê bilíngue se desenvolve de forma diferente do cérebro de um bebê monolíngue. 😳 Como assim? Só porque ele tem contato com uma língua a mais? Pois é. O que acontece é que a língua não é um elemento separado ou independente da cognição. Qualquer influência em uma influenciará a outra.

Se um indivíduo convive com dois sistemas linguísticos e não com apenas um, suas conexões cerebrais serão outras, as partes ativadas no cérebro a cada estímulo serão outras e, como consequência, a plasticidade cerebral (a capacidade do cérebro de mudar de acordo com os estímulos e as necessidades do organismo) se desenvolverá também de forma diferente. Uau! Isso significa que os bebês e crianças bilíngues são praticamente super-heróis, infinitamente mais inteligentes e melhores do que os monolíngues? Calma. A palavra DIFERENTE é bem importante aqui. São formas diversas de desenvolvimento e, por isso, é complicado e delicado compará-las.

Em inglês, temos uma expressão idiomática ótima para isso: “comparing apples to oranges”, que significa comparar coisas incomparáveis. Há benefícios, sem dúvida, no bilinguismo, mas há também dificuldades e desafios que precisam ser superados. Nas nossas próximas séries, vamos abordar os benefícios cognitivos, sociais, culturais e identitários do bilinguismo, assim como os desafios e formas de superá-los. Afinal, o bilinguismo é como tudo na vida: repleto de dores e delícias! 

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